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Aquele pessoal da 4ª série

Coletar memórias e não coisas

Encontrei aquele pessoal da 4ª série (e da 3ª). Pois é, assim do nada a turma foi se achando nas redes sociais e se reconectando através do whatsapp. Das gratas surpresas que tive em 2015, após um longo período de trevas, essa mexeu muito comigo e com as memórias que por muito tempo acreditei manter sozinho.

Em toda a minha vida escolar passei apenas por duas escolas. Guardo histórias e vivências de ambas mas a segunda foi um pouco mais traumática para mim, foi lá que eu senti o bullying na pele. No primário eu senti aquele gostinho de descoberta de um mundo novo, o mundo das letras, das idéias.

Escola Comunitária Governador Amazonino Mendes, como era nomeada na época,  só tinha até a 4ª série (equivalente ao 5º ano de hoje). Encerramos o ciclo na escola em 1998 e seguimos para outras escolas no ano seguinte. Desde então perdemos contato, cada um seguiu um rumo diferente.

A mesma sala, novas emoções.
A turma da 4ª série reunida na mesma e velha sala de 1998. (Da esquerda para a direita) Priscila Almeida, eu, Jennifer Lima, Daniela Pontes, Samylis Suellem, Professora Ceiça, Rogério Cunha e Débora Barbosa.

Até encontrava alguns colegas por aí. Como ninguém se manisfestava o distanciamento se mantinha. Entretanto, aquela escola, aqueles colegas, aqueles professorres e a Dona Ray (a diretora) nunca saíram completamente da minha memória. Claro que algumas coisas a gente esquece. É natural.

Sei o nome das minhas professoras do primário até hoje. A professora Gelcy na alfabetização, a professora Aldeisa na 1ª série, a professora Fernanda na 2ª e a professora Ceiça na 3ª e 4ª séries. Até por isso ela conquistou um lugar duplamente especial no coração.

Minha ligação com a escola foi tão forte, que depois de alguns anos regressei como estagiário. Eu estava no ensino médio e queria tanto ter meu dinheiro. Meu pai sempre foi contra mesadas “gratuitas”, assim fui parar lá, de volta. Alguns anos depois descobri que quem pagava meu “salário” era papai.

Em relação a professora Ceiça, tinha alguma coisa diferente, porque todas aquelas crianças se apaixonaram por ela, mesmo aqueles que volta e meia iam parar na diretoria. Fazendo uma comparação com algo bem fresco na memória dos brasileiros, posso dizer que ela foi a nossa professora Helena. Exercia autoridade sem ser autoritária, era amiga dos alunos sem deixar de ser a PROFESSORA (ai de quem a chamasse de tia).

O ambiente escolar sempre foi muito familiar para mim. Também, com pais professores, tia professora, primos professores,  não poderia ser diferente. Até arrisquei seguir a carreira mas eu não tinha o dom. É isso, a professora Ceiça tem o dom de ensinar.

Paulo Freire disse em Pedagogia da Autonomia que para ser professor tem que saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou sua construção. É ensinar e não transferir conhecimento. Por isso fomos tão agraciados. Tá que nunca fui muito bom com os números e já dava sinal naquela época. É só olhar meus boletins (sim, tenho guardado até hoje). Ainda bem que a escola vai muito além de matemática e números, caso contrário estaria ferrado.

Um dia qualquer de outubro recebo uma mensagem no inbox do facebook. Curiosamente, naquele dia fui conferir uma daquelas caixas em que caem mensagens que nunca lemos. Era a Débora, perguntando se eu tinha estudado na escolinha (apelido que todos nós usamos para a escola). Confirmei e imediatamente fui parar num grupo de whatsapp com outros colegas da época.

Minha reação imediata foi: “Oh, céus. Mais um grupo de whatsapp para me encher o saco”. Foi aí que a surpresa aconteceu de fato. Todos nós partilhávamos o mesmo sentimento de saudade. Que época boa! Raras exceções preferiram não se misturar conosco, talvez com vergonha de terem estudado em uma escola comunitária. Ou talvez por agora estarem assim:

ricota

As histórias, as traquinagens, as horas cívicas, tudo veio à tona outra vez. Nem parecia que 17 anos haviam se passado. e que tínhamos tomado rumos tão diferentes. Imediatamente combinamos uma surpresa para  professora que continua lecionando para a turma equivalente a nossa e na mesma sala de aula. Muitos não conseguiram ir por conta do trabalho, outros compromissos e até mesmo por residirem em outras cidades. Foi logo depois do dia dos professores e invadimos a sala (depois do horário de aula).

Mais uma vez parecia que acabávamos de deixar aquela escola. E reencontrar aqueles colegas me fez reconectar com aquele ser cheio de expectativas e sonhos que eu era. Para falar a verdade é bem nitido que nossas personalidades permaneceram intactas, só as gêmeas que trocaram uma com a outra (risos). Infelizmente, alguns se perderam no meio do caminho e se envolveram com coisas ruins. O que podemos dizer é que demos certo. Nos tornamos adultos sem perder totalmente aquele espírito. Obrigado, professora Ceiça!

Queria descrever os feitos e conquistas de cada um, entretanto, somos muitos e é melhor agradecer a todos. Vai que eu esqueço de alguém. Obrigado, colegas. Depois de anos estamos recomeçando uma amizade que não ficou no passado.

Guardar memórias, não coisas. Esse deveria ser o lema de vida de todo mundo, mas infelizmente o ser humano é falho e esquece do que realmente deveria ter valor ao longo da vida.

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