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Férias na Ilha de Mosqueiro

Mosqueiro - PA

Mosqueiro é o principal refúgio dos belenenses nos fins de semana e nos meses de férias escolares. Distante 35 quilômetros em linha reta da capital, a ilha faz parte de um arquipélago composto de 35 ilhas que leva o mesmo nome. Somadas a elas, o distrito é uma das 49 ilhas fluviais que integram o município de Belém.

O distrito sempre teve vocação para destino de veraneio nos belenenses mais abastados, mesmo antes da construção da ponte Sebastião R. de Oliveira, na década de 1970, responsável por ligar a ilha ao continente. São mais de 20 praias de água doce ao longo de 17 quilômetros de costa.

Parte importante da minha família paterna reside atualmente por lá. Além disso, tenho uma relação consideravelmente antiga com o local. Durante três anos seguidos passei minhas férias de julho na ilha, e  por isso boa parte das minhas memórias de férias escolares foram construídas naquelas praias. Eu e meu irmão passávamos o dia inteiro de molho na Praia Grande.

Praia do Bispo
Praia do Bispo

Este foi o destino que eu escolhi para aproveitar minhas primeiras férias em anos. As primeiras desde que eu terminei a faculdade, sete anos atrás. O objetivo era mesmo um lugar tranquilo e de certa forma isolado. Não queria saber de agito e de longos passeios, queria mesmo era desconectar e ficar sem muita tecnologia por perto. O vento no rosto e aquele cheiro de maresia com chuva me bastaria.

O Pará também está em mim. Muitos dos valores e costumes que aprendi vieram de lá através do meu pai. Amo a cultura, a música, a culinária. De fato, existem similaridades com o Amazonas mas diferenças consideráveis.

Apesar de ter regressado ao estado algumas vezes desde a infância, há 17 anos não ia para Mosqueiro. Já nem conseguia recordar direito da vila, das ruas, das praias e olha que agora a gente tem a internet aí para nos ajudar com isso.

Cheguei em Belém no dia 18 de janeiro e fui do aeroporto direto para o terminal rodoviário. Encontrei minha tia que me esperava próximo ao guichê de passagens e imediatamente embarcamos no ônibus. Deu nem para sentir o clima de Belém.

Chegamos na ilha por volta de 10 h e imediatamente mudei de roupa e fui caminhar pela vila. E aí foi um misto de sensações. Entre recordações e frustrações fui reencontrando lugares que estavam exatamente do mesmo jeitinho que eram na época em que eu e minha família frequentávamos a ilha.

Algumas construções se modernizaram, mas os casarões antigos ainda fazem vista por lá. A população também aumentou. Lembro que em um dos anos em que estivemos lá, ficamos uns dias além das férias. Ou seja, todo mundo que morava em Belém já tinha regressado e a vila ficou assustadoramente deserta. Desta vez observei certo movimento que naquela época não existia e olha que as aulas já haviam começado e era um dia comum de semana.

Todos os dias de manhã eu tomava café e fazia uma caminhada pela Praça da Matriz, que era logo ali perto da casa onde estava hospedado e onde meus familiares moram. De lá estendia para alguma praia. Sentir aquele ventinho no rosto me dava uma sensação de liberdade como há temos não sentia.

Fiquei triste ao notar que o poder público abandonou a ilha. Parece que os investimentos e os cuidados foram sumindo ao mesmo passo em que a população ia aumentando. Aos poucos estão desistindo do grande potencial turístico que as praias têm. Algumas estão praticamente sumindo por falta de cuidado com a orla, que desabou.

Praia do Bispo
Praia do Bispo em Mosqueiro – PA

Em outros pontos existem verdadeiras crateras no calçadão. E o trapiche, onde o antigo “navio” de passageiros atracava e que virou cartão postal após a inauguração da ponte que liga Mosqueiro ao continente, está em reforma faz quase dois anos. Na realidade, pouco avanço se vê por lá.

Nos finais de semana, mesmo fora da temporada de férias escolares, a ilha ainda recebe muitos belenenses que buscam sossego em virtude da violência que assola a capital. Entretanto, nem os bancos da principal praça da vila são lembrados. Muitos nem tem mais o assento.

Praia do Bispo
Eu e Bibi na Praia do Bispo

Apesar dessas coisas terem me frustrado um pouco, por conta da memória que eu recobrei, aproveitei ao máximo os dias de sol. Sim, porque nesses meses é época de chuva na Amazônia e poucos dias são de sol pleno. Ia sempre a alguma praia mas nem sempre ia para me banhar. Deixava para fazer isso quando meu sobrinho e companheiro de praia passava o final de semana com a gente.

Carnaval na Ilha de Mosqueiro
Ensaio do Bloco Pele Vermelha

A ilha estava se preparando para o carnaval. Como o carnaval oficial de Belém havia sido cancelado, a expectativa era de que muita gente fosse festejar por lá. Os blocos desfilam na rua mesmo e eu tive a oportunidade de assistir alguns ensaios de camarote. Afortunadamente os desfiles acontecem bem em frente a casa onde estive.

Belém

Deixei para ir à Belém já no final das férias. Só para comprar as encomendas que haviam me pedido. Meu pai bem que tentou me convencer a visitar outros familiares, alguns até ficaram chateados por eu não ter ido. Mas além de não os conhece-los direito, realmente não estava afim de muito movimento naqueles dias. Quis desconectar e desconectei mesmo.

No dia em que estive na cidade das mangueiras, fiz uma longa caminhada com minha prima, do terminal rodoviário até o tradicional Ver-o-peso. No caminho passamos no Santuário de Nazaré e rezamos um pouco. Ainda paramos em outra, a Igreja de Nossa Senhora de Sant’Ana.

Os dias de sossego foram ótimos e deu muita vontade de estender um pouco mais as férias. Só que a vida já estava me chamando de volta e a agenda de compromissos já estava se aproximando. Li bastante, conversei muito com as pessoas, revivi aquelas noites na praça (quase) como antigamente, reencontrei familiares, conheci outras pessoas, relembrei histórias, revirei álbuns de fotos e comecei uma viagem interna sem volta.

Plena quarta-feira e eu estou como? #férias #vacation #vacaciones #táacabando #pará #jorgedeférias #praia #praiadobispo

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Arrumando as malas
Estamos indo de volta pra casa
Manaus
Chegando em Manaus

Quero voltar em breve.

Curiosidades

Muita mosca

Quando eu era criança pensava que este era o motivo de Mosqueiro ostentar o nome que tem. Mas na verdade existe uma explicação na história para o nome.

Alguns historiadores dizem que na época em que Belém foi fundada, os índios escravizados  e submissos que viviam na ilha eram encarregados de abastecer a cidade com comida.

Influenciados pela cultura tupinambá, eles faziam uso da técnica do moquem ou moqueio, com o objetivo de conservar as carnes de caça ou do pescado, já que não tinham conhecimento do uso do sal com esse objetivo. E faziam isso nas praias.

Para chegar até Belém as embarcações passavam por perto da ilha. Como os colonizadores não conheciam a técnica mas conheciam Mosqueiro, nome dado a algumas localidades de Portugal e Espanha, logo teriam concluído que ali era a ponta de Mosqueiro.

Nossa Senhora do Ó

Nossa Senhora do Ó
Imagem de Nossa Senhora do Ó

Assim como Belém tem Nossa Senhora de Nazaré como padroeira, Mosqueiro tem sua própria padroeira. Nossa Senhora do Ó tem até o próprio círio no mês de dezembro.

Relatos de moradores antigos dão conta de que o primeiro círio aconteceu no início do século passado, em meados da década de 1920. Entretanto, existem registros que compravam que a devoção começou com a chegada de jesuítas espanhóis na ilha.

O Círio de Mosqueiro acontece no segundo domingo do último mês do ano, por conta da proximidade com o Natal. Pra quem não sabe a imagem da santa, retrata a mãe de Jesus grávida.

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