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Reflexos de mim e novas resoluções

Sino dos Ventos

No embalo das reflexões de fim de ano e início de um novo decidi ir mais longe. Fui reavaliar todos esses anos sabáticos que fui “obrigado” viver.

Houve um tempo em que, apesar da timidez nata em mim, era um jovem desembaraçado, altruísta e corajoso. Nesta fase pude me desfazer de algumas amarras e começar a mostrar um pouco da minha verdadeira personalidade.

Caí num buraco difícil de sair e junto a uma sucessão de perdas um “ressurgir das cinzas” se tornou ainda mais difícil de executar. Primeiro quase perdi minha mãe. Perdi meu avô. Perdi minha avó num susto. Quase morri num acidente de carro. Enfrentei passaralhos seguidos. E, embora não demostrasse, tudo ia somatizando e machucando lá no fundo da alma.

Agora com quase 30 anos percebo o quanto de energia poderia ter usado comigo e gastei com quem não devia. Amores dispensáveis, paixões estúpidas, colegas que ganharam status de amigos e assim foram tratados equivocadamente, projetos que jamais saíram do papel, outros que nem foram para o papel e promessas. Promessas renovadas todos os anos que dia após dia iam sendo varridas para debaixo de um tapete velho e pesado, onde eu já havia depositado alguns sonhos.

De fato, fui me fragilizando. Ser sensível tem dessas coisas. Como diz uma amiga… Sensibilidade só serve para esfolar a gente. É um traço da minha personalidade que costumo atribuir ao meu signo (não tenham filhos librianos!). Porque sim, nós sempre queremos achar uma explicação ou atribuir culpas. Acabei vestindo a carapuça de vítima, do rejeitado, do injustiçado, do subestimado. Faço aqui um mea culpa.

De tanto ter medo do que as pessoas pudessem pensar sobre mim e de tanto me importar com as opiniões alheias fui aderindo, sem perceber, a auto sabotagem. Nunca terminava qualquer coisa que me propusesse fazer. Ou nem me encorajava concretizar uma ideia antecipando os prováveis julgamentos. Pior, sempre questionava minha competência e simplesmente desistia. Aqueles “amigos” ajudaram muito nesse processo de “mutilamento”. Afundei em mim e toda vez que tentava submergir faltava coragem.

Era mais confortável e seguro permanecer do jeito que estava. Também sem perceber, afastei-me das pessoas, parei de sair de casa, entrava em pânico com a possibilidade de estar próximo a pessoas estranhas. O meu sumiço, entre aqueles, poucos notaram. Aí descobri quais eram as amizades verdadeiras e percebi que não era recíproco.

Para algumas pessoas você é o que você tem, ou o que você pode oferecer. Nunca recebi uma mensagem se quer perguntando como eu estava ou estranhando o meu distanciamento. Pelo contrário. Sentia julgamentos frios, como se tudo fosse apenas parte de um ataque de frescura.

Autorretrato
Nunca é tarde para ser o que você poderia ter sido.

Aí vêm aqueles momentos de lucidez e você se pergunta… Espera, quer dizer que eu só importava quando tinha algo a oferecer? A vontade é de gritar aos quatro cantos, “vocês ainda ouvirão falar de mim”, pois a volta do anzol nunca falha. Imediatamente lembro-me de um sábio conselho de vovó.

Importe-se com quem se importa com você. Você dever ser fiel a você mesmo, dizia ela. Realmente, vovó tinha razão. Devo ser fiel a mim e aos meus sonhos. Não importa o que digam. Por que eu tenho que ser igual a eles?

Nunca tive vocação para capacho nem ser puxa-saco de ninguém. Bajulação não é comigo. Não será agora que eu vou lançar mão disso, por conta de status ou atenção de gente que nem gosta de mim de verdade. As verdadeiras amizades… Essas seguem comigo.

Ainda não consegui resgatar aquele jovem perdido no meio do caminho, mas sei que ele ainda habita em mim. E com muito trabalho e esforço conseguirei resgatá-lo.

Restart
Recomeçar.

Por isso 2017 será um ano de redescoberta pessoal e profissional. Quero e vou parar de reclamar e prometer. O negócio da procrastinação… Ô hábito maldito! Vamos trabalhar isso também.

Quero ser menos ansioso e exercitar o autoconhecimento. Tenho certeza de que devo pensar mais em mim do que nos outros, o que não significa que eu deva me tornar uma pessoa fria e indiferente ao que me cerca. É só uma questão de prioridade emocional e acreditar mais em mim e no meu potencial.

Chega de negatividade. Que o copo esteja sempre meio cheio. Sempre há algo de bom para se aprender até nas adversidades.  E que esses 30 kg de sobrepeso sejam só lembranças ruins daqui um ano.

Feliz 2017!

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2 comments

  1. Amei seu texto, Jorge. Te acompanho meio de longe e sabe… nunca imaginei que se sentia assim. Me alegro em ver seu desejo de recuperar o equilíbrio das suas emoções. Isso já um passo importantíssimo, pois muita gente não consegue fazer essa autoanálise. Você está de parabéns.
    Desejo muito sucesso nessa nova jornada, e principalmente FORÇA! Cada pequeno passo é crucial para chegar mais perto do seu objetivo, portanto não desista.

    Muita luz pra você.

    OBS.: sou leitora ávida. O link do seu site já está favoritado. :*

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